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Nº 020 · socio
Segunda-feira e você já tá trabalhando com o sócio errado (e ainda vai levar meses pra perceber)
A maioria dos empreendedores não perde por causa de falta de ideia, dinheiro ou mercado. Perde porque sentou com a pessoa errada desde o dia um e confundiu empolgação com compatibilidade. Teste rápido pra saber se você tá nessa.
Neste dossiê
Abre o WhatsApp agora e olha a última conversa que você teve com seu sócio, se é que você tem um. Se a última mensagem dele foi um áudio de domingo à noite falando que precisa conversar “sobre o rumo da coisa”, você já tá com problema e não avisaram. Se a última conversa foi você mandando ideia e ele responder com emoji de polegar pra cima, também tá. O problema não é o áudio de domingo, é que vocês não combinaram nada antes e agora tá todo mundo achando que o outro vai fazer a parte que ninguém fez. Segunda-feira é o dia perfeito pra encarar isso porque a semana ainda tá começando e dá pra mudar o rumo antes de perder mais mês.
A maioria do empreendedor que eu conheço que fechou empresa, que teve que dissolver parceria depois de dois anos de dor, não perdeu por causa de mercado, concorrência ou dinheiro. Perdeu porque sentou com a pessoa errada desde o dia um e confundiu empolgação com compatibilidade. Tem gente que combina pra montar empresa no churrasco do fim de semana, divide o nome da marca no WhatsApp e acha que já é sócio. Não é. Sócio é a pessoa que vai estar junto quando o caixa apertar, quando o cliente sumir, quando o produto quebrar e quando a família perguntar quando é que esse negócio vai dar retorno. Se a pessoa começou sumindo quando foi preciso botar dinheiro, imagine quando for preciso botar cara.
O teste que ninguém faz antes de fechar parceria
Aqui vai uma pergunta que eu aprendi a fazer sempre que alguém me conta que tá montando algo com sócio. Pergunta pros dois, separado, sem um ouvir a resposta do outro: o que o outro faz melhor que você sabe que não consegue acompanhar? Se os dois respondem a mesma coisa,.good. Se um responde com clareza e o outro enrola, já tá desbalanceado. Se nenhum dos dois sabe responder, vocês não são sócios, são dois amigos que dividem um sonho mas não dividem trabalho. Sonho partilhado sem divisão de trabalho é hobby, não empresa.
Eu vejo isso demais dentro da plataforma. Pessoa checa o perfil do outro, gosta da ideia, manda mensagem, combinam, até criam CNPJ. Mas nunca sentaram pra fazer a pergunta básica: quando a coisa apertar de verdade, quem faz o que? A pessoa que é boa de frente pro cliente mas some na operação. A pessoa que entrega produto mas não sabe vender. A pessoa que planeja mas não executa. Não tem nada de errado em ter lacunas, todo mundo tem. O que é errado é fingir que as lacunas do outro não existem porque a empolgação tá no talo.
O problema do “a gente se entende”
Tem uma frase que eu já ouvi demais e sempre dá calafrio. “Ah, a gente se entende.” A gente se entende é o que se fala quando ninguém quer ter a conversa difícil. A gente se entende significa que ninguém tá querendo escrever no papel quem faz o quê, quem decide o quê, quem bota dinheiro quanto, quem entra quanto de hora, o que acontece se alguém quiser sair. Quando a coisa vai bem, a gente se entende trabalha. Quando a primeira crise aparece, a gente se entende vira a gente se judia. E a primeira crise não é quando o produto quebra, é quando um dos dois sente que tá botando muito mais que o outro e o sentimento de injustiça começa a ocupar o lugar da amizade.
Segunda-feira é um ótimo dia pra quebrar isso. Manda mensagem pro seu sócio com uma pergunta direta: que parte do negócio você sente que é sua e que parte você acha que é minha? Se a resposta vier clara, ótimo. Se vier enrolada, vocês tinham que ter tido essa conversa antes, mas melhor agora do que em dezembro. Se não vier, você tá trabalhando com alguém que não tá nem pensando nisso, e isso é mais perigoso do que qualquer concorrente.
O que fazer se descobriu que tá com o sócio errado
Se você leu até aqui e sentiu um incômodo, para de fingir que é impressão. Tem três caminhos honestos, e nenhum deles envolve drama. O primeiro é sentar, expor as lacunas com clareza e ver se dá pra complementar com alguém novo, seja um terceiro sócio ou uma contratação. O segundo é rediscutir a divisão, porque às vezes o problema não é a pessoa e sim a combinação que ninguém combinou direito. O terceiro, que é o mais difícil e o mais raro, é admitir que a parceria não faz mais sentido e separar antes que vire processo. Nenhum dos três é fácil, mas todos são melhores do que mais seis meses de morno.
O que a gente aprende observando parcerias que dão certo e que dão errado é que não existe sócio perfeito porque isso não existe. Existe a combinação certa pro momento certo. E o momento de revisar a combinação é justamente quando a coisa ainda tá andando, não quando já parou. Segunda-feira é o dia de começar a semana com essa pergunta na cabeça: eu tô andando com a pessoa certa, ou tô só andando?
Se você tá sem sócio e sente que precisa de alguém que complemente o que você faz, vale dar uma volta no Meu Novo Sócio. O négocio não é achar perfeito, é achar quem responde com clareza quando você pergunta quais são as lacunas.