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Nº 040 · resumo da semana

Resumo da semana: a pausa do Copom, o estrangeiro que não sai da B3 e o varejo dividido entre freio e esperança

Semana de 8 a 14 de agosto sem reunião do Copom, mas com IPCA apertado, estrangeiro batendo recorde na B3, varejo em cima do muro e Startup Investment Summit se aproximando. O resumo pra quem perdeu tudo.

Nº 040 resumo da semana
MNS · Dossiê
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Foi uma semana sem Copom, mas não foi uma semana tranquila não. Entre 8 e 14 de agosto o calendário econômico deu uma respirada, mas o mercado ficou mais que ocupado digerindo dados, reprecificando expectativa e tentando ler pra que lado o vento sopra entre a última decisão de juro (que cortou a Selic pra 14% no dia 5) e o próximo encontro em setembro. Pra você que empreende e não tem tempo de ficar acompanhando cada número que sai, o que a gente faz aqui é juntar o que moveu de verdade e te entregar o atalho pra chegar no fim de semana sabendo o que importa e o que pode pegar de raspão se cair de paraquedas num papo de mesa. Essa semana teve três frentes que conversam entre si: a inflação que veio apertada e mudou a leitura do próximo Copom, a B3 que seguiu batendo recorde com o estrangeiro no comando, e o varejo que apareceu dividido entre quem tramba o pé no freio e quem começa a ver luz no fim do túnel.

O IPCA veio apertado e o mercado reajustou a aposta

O dado que mais pesou na semana foi o IPCA cheio de julho, que veio apertado e fez o mercado reajustar a expectativa pra próxima decisão de juro. Depois que o Copom cortou a Selic pra 14% no dia 5 com decisão unânime e linguagem cautelosa, saiu a inflação cheia e o número não deu corda pra acelerar. O mercado financeiro, que já vinha reduzindo a estimativa de inflação pra 2026 pela quinta semana seguida com projeção caindo pra 5,03%, precisou recalcular o caminho. As Opções do Copom na B3, que antes precificavam mais um corte de 0,25 ponto em setembro com tranquilidade, passaram a refletir um cenário menos certo. Parte do mercado segue projetando a Selic terminando 2026 em 13,75%, mas a leitura agora é de que o Copom pode optar por uma pausa se a inflação não colaborar nos próximos impressos.

Pra você que roda pequeno negócio isso importa por dois caminhos que se cruzam. O primeiro é que Selic parada ou caindo devagar mantém o rendimento da renda fixa alto (juro real acima de 8%), o que segura capital no conservador e dificulta a vida de quem quer captar dinheiro de investidor com tese de risco. O investidor-anjo e o seed fund criterioso seguem olhando renda fixa como concorrência direta de startup, e a queda da Selic precisa ser mais consistente pra mudar essa conta. O segundo caminho, que beneficia quem precisa de crédito, é que mesmo parada a Selic em 14% já é patamar melhor que o ano passado, e o crédito pra capital de giro segue reabrindo devagar com custo mais baixo que há seis meses. O dólar passou a semana rondando a casa dos R$ 5,10, sem grandes saltos, e essa estabilidade no câmbio é o que dá pro Copom a folga mínima pra continuar o ciclo de corte, ainda que em passo mais lento que o mercado gostaria.

O estrangeiro bateu recorde e a B3 segue no comando de fora

Enquanto o Copom não se reunia, a B3 seguia batendo recorde com o estrangeiro no comando. O dado mais impressionante da semana (e do ano) é que o investidor estrangeiro já domina 61,2% do giro na B3, recorde histórico, e acumula saldo positivo de R$ 35,5 bilhões no ano. Houve um dia de agosto em que o estrangeiro saiu R$ 714,8 milhões, mas o saldo mensal segue positivo e a tendência de longo prazo não mudou. O Ibovespa rondava os 174 mil pontos na semana (+8% no ano) e a XP mantinha a projeção de 185 mil pontos até o fim de 2026, com a BofA reforçando leitura positiva pra mercado emergente. Não é detalhe de tela, é um movimento estrutural: o estrangeiro deixou de ser só comprador de ação pontual e virou formador de mercado no Brasil.

A leitura pro empreendedor é que o capital global tá votando no Brasil de uma forma que não acontecia antes. Isso reverbera em todo o ecossistema: startup que busca sócio-investidor de tese global passa a ter umidade mais favorável, PME que pensa em abrir capital um dia (ainda que pra poucos) vê a B3 como saída mais viável, e fundo de private equity e venture capital internacional sente folga pra alocar mais em LatAm. Mas tem o outro lado, que é a concentração: 593 transações de M&A foram contabilizadas no primeiro semestre de 2026, com queda de 35% no número de negócios mesmo com volume robusto de US$ 30,5 bilhões, o que mostra que o capital segue ficando com poucos e grandes. Quem é pequeno precisa entender que o jogo virou de nicho, governança e receita previsível, não de pitch bonito. O capital veio, mas veio criterioso.

Varejo sinalizou freio e o Startup Investment Summit se aproxima

No varejo a semana seguiu o tom de cautela que apareceu sete dias antes com a Renner cortando projeção de vendas. Setor de vestuário e varejo de médio porte seguiram mostrando que o consumo está em cima do muro. Mas no setor de serviço, especialmente turismo, restaurante e experiência, os dados de volta das férias escolares trouxeram embalo, e parte do varejo ligado a lazer e fim de semana começa a enxergar luz. A Black Friday season ainda não começou oficialmente, mas setembro costuma ser mês de preparação e muitos varejistas pequenos já começam a fazer cenário. O custo de frete, que ficou mais caro com a MP do frete virando lei no início do mês, segue pesando no markup de quem depende de rodovia.

Ao mesmo tempo, o calendário de evento do ecossistema empreendedor se aproxima. O Startup Investment Summit, marcado para o dia 25 de agosto em Florianópolis, ganhou destaque na semana como o debate que todo fundador e investidor-anjo está de olho. O tema central do evento reflete a pergunta que não quer calar: investir em startup com Selic a 15% é desafio ou oportunidade? O selo de “15%” é referência ao patamar recente e à discussão sobre como a queda da taxa básica abre (ou não) espaço pro capital de risco. Pra quem busca sócio-investidor, esse é o tipo de evento que vale aparecer, não só pelo conteúdo, mas pela densidade de gente que decide. Capital criterioso não anda sozinho, anda em grupo, e grupo se encontra em evento.

No plano climático, a semana seguiu instável no Sudeste e no Sul depois do ciclone-bomba da semana anterior. Não houve evento extremo novo de magnitude, mas o Inmet seguiu emitindo alerta recorrente e o Rio Grande do Sul permaneceu em estado de atenção. Pra quem opera varejo, e-commerce, agro ou transporte, o exercício segue válido: quantos dias de parada sua operação aguenta, onde o estoque fica, qual o seu principal fornecedor e cliente em região vulnerável. Adaptar custa menos que reconstruir, e ninguém precisa de ciclone novo pra justificar a planilha de continuidade de negócio que ficou incompleta.

O fio que conecta a semana

Olha o conjunto: inflação apertada que reajusta a aposta no Copom, estrangeiro em recorde na B3, varejo em cima do muro, Startup Investment Summit se aproximando e clima que segue instável. Não é semana de euforia nem de crise, é semana de quem entender o detalhe e tiver a casa arrumada sair na frente. O fio que conecta tudo é que o capital tá criterioso, o externo tá votando no Brasil e o interno ainda tramba o pé entre freio e esperança. Se a sua trava hoje não é Selic nem câmbio, e sim a falta de quem segure a operação enquanto você cuida do externo, dá uma passada no Meu Novo Sócio. É o lugar onde empreendedor encontra quem completa o que falta no negócio, com afinidade real de competência.

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