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Nº 021 · oportunidades

O segundo semestre tem um buraco de ouro entre agosto e outubro (e quase ninguém enxerga)

O período entre o fim das férias e o feriado de 7 de setembro abre janelas de negócio que costumam passar em branco. Onde olhar, o que pegar embalo e por que esse é o melhor momento pra começar.

Nº 021 oportunidades
MNS · Dossiê
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Te conto uma coisa que mais da metade do empreendedor de primeira viagem erra: achar que o segundo semestre só começa pra valer depois do Dia da Independência. Já vi gente adiar abertura de CNPJ, lançamento de produto e contratação de equipe só porque “o mercado volta em setembro”. O detalhe que passa batido é que agosto é exatamente quando a fila começa a andar. O orçamento empresarial que travou no fim do primeiro semestre solta, a família que gastou com férias volta ao ritmo normal, e o público que estava só de olho começa a comprar de novo. Quem chega em setembro com tudo pronto colhe o melhor do mês. Quem chega em setembro pra começar chega junto com a concorrência inteira e perde as primeiras três semanas.

O que costuma esquentar nesse lance entre agosto e meados de outubro, sem mistério, é tudo que depende de tomada de decisão adiantada. Reparo antecipado, conserto de baixa temporada, estoque que precisa entrar antes do rush de outubro, treinamento de equipe pra alta do fim do ano. Quem vende serviço de operação, implantação ou gestão de processo sente o movimento três a quatro semanas antes do varejo. É uma janela silenciosa, mas é cheia pra quem está pronto. Se você está começando do zero, isso é ótima notícia: não precisa de um cliente gigante, precisa de cinco pequenos que decidiram adiantar a agenda.

Onde o movimento realmente cresce nesse período

Tem três frentes que costumam pegar embalo sozinhas nesse buraco entre o fim das férias e o feriado de 7 de setembro, e elas seguem vivas até meados de outubro. A primeira é serviço B2B de implantação e suporte pro pequeno comércio. O dono do varejo de bairro voltou de férias, olhou o caixa do primeiro semestre e decidiu que precisa ajustar: trocar maquininha, organizar estoque, treinar a galera, ligar de novo a forma de pagamento por aproximação que estava desativada. Ele tem a decisão mas não tem tempo de executar. Chega oferecendo um pacote fechado (configuro, treino seu time e fico de plantão na primeira semana da alta de vendas) e você vira operação, não mais negociação. A segunda é o setor de eventos corporativos e confraternização adiantada. As empresas grandes já estão fechando agenda de final de ano, mas as pequenas ainda não. Quem tem estrutura de buffet, locação de equipamento, decoração ou produção audiovisual consegue fechar contratos em agosto com preço de plano e calendário tranquilo. A terceira é saúde preventiva e exames de rotina, que costuma andar com força a partir do fim das férias porque parte do público adia consulta de janeiro e fevereiro pra “depois do verão”. Clínica pequena, consultoria de nutrição, equipe de vacinação na empresa, fisioterapia em escritório: tudo isso tem movimento de setembro que começa a ser procurado em agosto.

A lógica que conecta essas três frentes é a mesma, e vale a pena entender porque se repete todo ano. Quem atende o consumidor final comum sente a alta a partir de setembro, mas quem atende quem vai atender esse consumidor sente antes. É cadeia. Se o mercado vai bombar no Dia das Crianças e no Natal, a preparação acontece dois meses antes. A oportunidade de agosto e setembro não é o consumidor final, é o backend. Se você está pensando em abrir uma lojinha de produto perto de 7 de setembro, considere o contrário: prestar serviço pra quem está abrindo, montando, reorganizando. Margem costuma ser maior e ciclo de venda mais curto.

O detalhe que separa quem pega a onda de quem só observa

Tem um detalhe que pouca gente comenta mas faz toda diferença nessa janela. O empreendedor que pega o movimento é aquele que já tinha conversa adiantada com o cliente em julho. Não com proposta fechada, mas com relação iniciada. E aí entra uma coisa que acabei de notar lendo os comentários do último post: quem sofre pra fechar agenda em agosto costuma ser quem passou junho e julho só preparando produto, sem conversar com ninguém. Preparo precisa de cliente no radar, senão vira trabalho escravo.

Você pode começar com pouco, mas precisa começar com gente. Lista de cinco a oito potenciais clientes, conversa leve sobre o que eles querem resolver no fim do ano, oferta simples de pacote. Não precisa de planilha sofisticada nem de site pronto. Precisa de mensagem mandada, encontro marcado, café na mesa. Em três dessas conversas, geralmente uma vira cliente e outra vira indicação. É uma proporção baixa mas funciona, porque você não está competindo com multinacional de marketing, está competindo com o concorrente distraído que também dormiu no ponto.

Como encaixar isso no seu plano sem virar circo

O que eu sugiro pra quem está lendo e pensando “é a minha hora”, é não jogar fora a estrutura que você já tem. Se você já atua num desses setores, é questão de antecipar agenda e conversar com cliente-base. Se você está partindo do zero, vale entender que dividir nessa fase pode ser atalho. Em vez de brigar pra aparecer pra desconhecidos, vale muito mais procurar um sócio que já tem carteira formada e precisa de alguém de operação pra entregar o que prometeu. O cliente já está lá, só falta mão de obra confiável do lado de cá.

Aqui dentro da plataforma a gente vê esse encaixe toda semana. Quem reconhece que a janela do segundo semestre é curta e exige sócio complementar costuma fechar parceria em agosto e colher resultado em outubro. Quem insiste em fazer tudo solo chega em dezembro reclamando que perdeu o segundo semestre inteiro. Não é sobre ter ideia brilhante, é sobre ter alguém do lado quando a demanda atropela.

Se você sentiu alguma dessas janelas tocando na sua área, vale a pena dar uma volta no Meu Novo Sócio e ver quem está procurando alguém com o seu perfil. Às vezes o seu próximo contrato de agosto já está lá, só esperando você responder.

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