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Nº 019 · dica de empreendedor

Dica de empreendedor: você está errando o preço e não percebe (o que isso custa todo mês)

Por que copiar o preço do concorrente ou cobrar o que 'parece justo' destrói sua margem sem você ver. Como calcular o ponto de equilíbrio e o custo das horas que não aparecem na planilha.

Nº 019 dica de empreendedor
MNS · Dossiê
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Tem uma coisa que mais da metade dos pequenos negócios faz errado e quase ninguém percebe: precifica no automático. Abre o preço do concorrente, chuta um valor um pouco abaixo pra “conquistar cliente”, e segue. Quando o mês fecha e o dinheiro não rende, a culpa vai pro Instagram, pro algoritmo, pra crise, pra concorrência. Raramente chega no lugar onde realmente tá o problema, que é o preço que você mesma cobrou.

O erro mais comum não é cobrar caro. É cobrar barato achando que é estratégia. Você desce o preço pra vender mais, vende mais mesmo, e o lucro não aparece. Isso não é azar, é matemática escondida. Quando a margem por venda é pequena, você precisa de muito mais volume pra fechar a mesma conta que três vendas bem precificadas resolveriam. Mais volume significa mais trabalho, mais desgaste, mais custo invisível de operação, mais chance de erro, mais gente envolvida. O barato sai caro e você só descobre quando o caixa aperta.

O custo que não aparece na planilha

A maioria dos empreendedores calcula o preço assim: custo do produto, mais um “lucro” de 30%, 50%, e tá pronto. Isso funciona no ensino médio, não funciona em negócio real. O que falta nessa conta é tudo aquilo que você faz e não marca hora ninguém. A resposta de mensagem às 22h, a ida no cliente que cancelou em cima da hora, o tempo que você passa escolhendo embalagem, o mês que você reinvestiu e não tirou pró-labore pra não estourar a curva. Isso tudo é custo. Custo de tempo seu, que é o recurso mais escasso que existe, e que ninguém bota na planilha.

O ponto de equilíbrio é a conta que separa quem entende de negócio de quem tá só girando a roda. Ele é simples no conceito: é quanto você precisa faturar pra cobrir tudo que gasta, sem nenhum real de lucro. Se você soma custo fixo (aluguel, internet, software, seu pró-labore mínimo) com custo variável (mercadoria, comissão, frete), e divide pela margem que cada venda deixa, chega no número de vendas que você precisa arrancar do mês só pra não estar perdendo dinheiro. A maioria das pessoas com quem faço essa conta pela primeira vez descobre que está trabalhando o mês inteiro pra ficar no zero. Não é fracasso, é falta de número.

Por que baixar preço pra vender mais é uma armadilha

A tentação é forte. O cliente reclama do valor, você baixa 10%, ele fecha, parece vitória. Mas baixar 10% no preço numa margem de 20% significa que você cortou metade do seu lucro por venda. Pra recuperar esse lucro, você precisa quase dobrar o volume. Dobrar volume num mês é improvável sem mais investimento em divulgação, mais gente, mais logística, ou seja, mais custo. Ficou pior. Esse ciclo é o que mais destrói pequeno negócio no Brasil, e ele é silencioso porque o faturamento cresce e dá a sensação falsa de que tudo tá indo bem.

O caminho inverso é contraintuitivo mas funciona: subir preço num nicho onde você entrega melhor costuma manter o cliente que valia a pena e perder o que só te tomava tempo. Margem maior, menos volume, mesmo lucro, menos desgaste. Não é regra absoluta, tem segmento que aguenta descer preço e ganhar em escala, mas isso é raro e exige estrutura. Se você é pequeno, com margem curta e sem reserva, baixar preço é a decisão mais cara que você pode tomar.

Como repensar sem virar professor de planilha

Você não precisa virar financeiro pra acertar o preço. Precisa de duas coisas honestas. A primeira é listar tudo que entra no negócio, inclusive o que é trabalho seu não pago, e somar. A segunda é decidir quanto de margem você quer por venda e calcular o preço a partir disso, não copiando ninguém. Se o número sai maior que o mercado, aí você decide: ou você entrega algo que justifica esse preço (atendimento, qualidade, exclusividade), ou você ajusta custo pra baixo em vez de ajustar preço pra baixo. Cortar custo é trabalho sujo, mas margem que vem de corte de custo é margem definitiva. Margem que vem de aumento de preço depende de cliente aceitar.

A dica de hoje é uma só: pare de adivinhar preço. Toda vez que você chuta o valor de um serviço ou produto, alguma parte do seu negócio tá sangrando devagar e você não tá vendo. O número que protege o negócio não é o que o concorrente cobra, é o que o seu custo real exige. Quando você entende isso, a conversa com cliente muda: você para de defender preço e passa a explicar valor. E cliente que entende valor paga. Cliente que só quer barato não é seu cliente, é um problema com cpf.

No fim das contas, nós do Meu Novo Sócio costumamos dizer que sociedade boa começa em conversa honesta sobre número. Se você tem um sócio que entende de financeiro e você entende de operação, o preço que você cobra deixa de ser um palpite e vira uma decisão de dono. Ache alguém que cobre sua lacuna, e sua precificação vai junto.

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