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Nº 018 · dica de empreendedor

Dica de empreendedor: pare de procurar o sócio perfeito (ele não existe)

A armadilha de buscar o sócio que complementa tudo, que tem rede, que bota dinheiro e ainda divide a visão. Por que o sócio perfeito é uma fantasia que trava mais do que ajuda.

Nº 018 dica de empreendedor
MNS · Dossiê
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Tem um erro que mais de um empreendedor comete quando decide buscar um sócio: ele desenha no papel o sócio perfeito. Monta uma lista mental de tudo que essa pessoa precisa ter. Precisa botar dinheiro, mas não quer controle. Precisa ter rede de contos, mas não ser arrogante. Precisa complementar seus defeitos, mas dividir sua visão. Precisa estar disponível 100%, mas aceitar ganhar menos no começo. Essa pessoa não existe. E pior: se existisse, não ia querer ser sócio de quem tá procurando.

A busca pelo sócio perfeito é uma forma bonita de procrastinação. Você fecha os olhos e imagina um complemento ideal em vez de entender que parceria de verdade é um contrato imperfeito. Vai ter coisa que um faz melhor que o outro, mas tem outras áreas que ninguém domina e ambos precisam aprender. Vai ter momento que um tá mais puxado que o outro, e outro momento que inverte. Vai ter divergência de visão em coisas que importam. Isso não é problema, é o material de trabalho de uma sociedade.

O que realmente precisa

Em vez de procurar perfeito, procure três coisas que importam de verdade.

A primeira é confiança básica. Não confiança no sentido bonito de palmada nas costas, mas no sentido visceral de “se essa pessoa puder me safar, ela vai?”. Se a resposta não for um sim imediato e sem intermediário, não é sócio. Confiança não se constrói com contrato, se revela com contrato. Se ela já não tá lá no começo, o papel não vai criar.

A segunda é complementaridade real de competência. Não só “um é técnico e outro é comercial”, que é o clichê. Mas sim “um é bom no que o outro é pior, e ambos sabem onde um é melhor que o outro”. Quando os dois fazem a mesma coisa bem, você tem redundância. Quando nenhum dos dois faz o que falta, você tem um buraco. O sócio certo é o que completa o que falta, não o que duplica o que já tem.

A terceira é alinhamento de expectativa sobre dinheiro e tempo. Quantas horas por semana cada um bota? Quem aporta capital e quanto? Qual a expectativa de retorno e em quanto tempo? Quantas horas por semana cada um bota? Isso parece conversa chata, mas é a diferença entre sociedade que dura 5 anos e sociedade que estoura em 6 meses porque um achava que o outro ia dedicar mais.

A lista mental que te atrapalha

A maior armadilha é a tal lista de “meu sócio ideal precisa…”. Quanto mais itens nessa lista, menos pessoas se enquadrem e mais tempo você passa procurando em vez de construir. Acaba que o fundador solo fica solo não por choice mas por exigência irreal de perfeição do parceiro.

A real é que você precisa de alguém que seja honesto, que traga o que você não tem, e que esteja disposto a ter conversas difíceis desde o início. O resto se ajusta no caminho. Se você achar alguém assim, já achou mais do que 90% das sociedades que existem por aí.

No Meu Novo Sócio a gente não conecta pela lista mental de perfeição, mas por afinidade real de competências e objetivos. O match não é “o sócio dos seus sonhos”, é “o sócio que complementa o que você tem de verdade”. Que é o que importa.

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